UôUôUóUó; UôUôUóUó
Em pé, silenciosa no alto da serra,
A árvore escuta a canção da terra.
Com galhos abertos, em gesto materno,
Ela acolhe o sol, a sombra e até o inverno.
Dá fruta madura, dá flor perfumada,
Abriga o ninho; as raízes barram a enxurrada.
Quando muito agredida, sua defesa é em essência
Produzir mais sementes visando sua sobrevivência.
Refrão
É mãe árvore, velha guardiã,
Imponente sem medo do vento de amanhã.
Ao saber de sua presença, ele se acalma,
Pois antes de soprar conversa com sua alma.
É mãe de grande e aconchegante coração,
Que gera o alimento, beleza, riqueza e proteção.
Quem planta uma árvore, planta esperança,
De forma indireta planta, também, bonança.
A criança que crescer com árvore perto,
Entenderá melhor o mundo; isto é certo.
No abraço da sombra em dia de calor,
Há lição de cuidado, de afeto, de amor.
As árvores falam, numa língua calada,
Na dança dos ramos, na folha cansada,
Elas contam histórias do tempo que foi,
E, de hoje; da união com o agro e com o boi.
Refrão (repetido)
É mãe árvore, velha guardiã,
Imponente, sem medo do vento de amanhã.
Ao saber de sua presença, ele se acalma,
Pois antes de soprar conversa com sua alma.
Muitas são cortadas, queimadas ou vendidas,
Por pura ganância, de mãos pervertidas.
De seu silêncio ecoa um lamento profundo
Pedindo respeito por todo esse mundo!
Quando o homem deixar nova floresta florescer,
Será sinal que a humanidade estará a entender,
Que manejar a floresta com visão de parteira,
É estar protegendo os filhos da vida inteira.
[1] Engenheiro Agrônomo (UFCE); Especialista em Planejamento Agrícola (SUDAM / SEPLAN – Ministério da Agricultura), Pesquisador Sênior em Sistemas Agroflorestais (EMBRAPA – aposentado), Doutor em Agronomia e Engenheiro da Poesia.