REFLORESTANDO A ALMA
[1]Moacir José Sales Medrado
Florestas queimadas despertam clamor,
As internas, provocam nos corações grande dor.
Algumas, mesmo assim, geram sementes de amor,
Semelhantes às da guazuma que resistem ao calor
Já cortaram matas em mim também,
A machadadas de desamor e desdém
Mesmo assim, onde tentaram queimar
As sementes dormentes vieram a brotar
Refrão
Resolvi me reflorestar por dentro,
Sarar as clareiras do pensamento.
Plantando silêncio, colhendo perdão,
Adubando a alma com compaixão.
Resolvi ouvir o canto do vento,
Que sopra verdades a todo momento.
Reflorestar o amor que foi derrubado,
Abrir meu coração que andava fechado.
Busco renascer por gestos pequenos,
Como olhar o outro sem tantos venenos.
Andar descalço, sentir o chão,
E ouvir o mundo com mais atenção.
Ponte
Hoje planto afeto no peito ferido,
Transformo em vida o que era doído.
Certo de que quando a floresta voltar,
Uma bela flora irá meu entorno povoar.
Refrão (repetido)
Resolvi me reflorestar por dentro,
Sarar as clareiras do pensamento.
Plantando silêncio, colhendo perdão,
Adubando a alma com compaixão.
[Final]
Assim, o planeta seremos nós
Não um coro de muitas vozes sós
Mas bilhões de vozes em conexão.
A terra será um só coração.
Uma só pulsação.
[1] Engenheiro Agrônomo (UFCE), Doutor em Agronomia (ESALQ / USP), Engenheiro de Poesia