Moacir José Sales Medrado[1]
[Quadra 1]
Da borracha, em minha memória,
A vivência e a história.
Da seringueira a exploração.
Do seringueiro esta canção.
[Quadra 2 – A guerra
O Nordeste lhe despacha,
Como “soldado da borracha”.
“Soldado sem farda e sem chão”.
Seu pagamento? Ilusão!
[Refrão: Abandono]
Nas "estradas", inicial pavor.
Nas “colocações” amargor
Enfrentou calor febril,
Abandono e exílio hostil.
[Quadra 3 – Encontro com índios]
Com os índios penaram juntos
Sofrimentos? foram muitos.
“Correrias” e desterritorialização
Aviltamento e escravidão.
[Quadra 4 – A escravidão]
No seringal sua prisão,
Sem corrente e sem perdão.
No trabalho o cativeiro.
Todo dia; o ano inteiro.
[Quadra 5 – O “empate”]
O “empate” foi semente
De uma grande luta ardente.
Rebeldia em mutirão
Defendendo o seu quinhão.
[Quadra 6 – Chico Mendes]
Chico Mendes foi guerreiro,
Defensor do seringueiro,
Empunhando esta bandeira:
Pela selva a vida inteira.
[Quadra 7 – Reservas extrativistas]
Reserva Extrativista: chão garantido,
Seringal livre e protegido,
Hoje a Reserva é a raiz
De um futuro mais feliz.
[Refrão Final]
Enfrentou calor febril,
Abandono e exílio hostil.
Soldado sem farda e chão,
Seu pagamento? Ilusão!
[1] Engenheiro Agrônomo (UFCE), Doutor em Agronomia (ESALQ / USP), Engenheiro da Poesia.