ZALAMENA, Caroline; FERNANDES, Lúcio André de Oliveira; KAUFMANN, Marielen Priscila. Gentes e Florestas: pistas para imaginar outras agri-culturas. Revista NERA, Presidente Prudente, v. 28, n. 3, e11064, jul.-set. 2025. DOI: https://doi.org/10.1590/1806-675520252811064
resenha_05032026
Mapear os processos micropolíticos envolvidos nas relações entre agricultores e agroflorestas no Escudo Cristalino Sul-Riograndense, identificando pistas para imaginar “outras agri-culturas” frente à hegemonia monocultural no Bioma Pampa.
Pesquisa qualitativa
Pesquisa-intervenção
Método Cartográfico (inspirado em Deleuze e Guattari)
Quatro agroecossistemas (3 a 12 anos de SAF)
Ferramentas: caminhadas guiadas, desenho do agroecossistema, mutirões, diário de campo, registros audiovisuais
Foram realizadas nove saídas de campo entre abril/2024 e janeiro/2025.
Trata-se de abordagem epistemologicamente contra-hegemônica, que rompe com a separação sujeito–objeto.
Alta diversidade florística nos SAFs, com forte presença de espécies nativas do Pampa.
Implantação em áreas degradadas, com evidente capacidade regenerativa.
Baixa escala comercial — apenas um agroecossistema acessando PAA/PNAE.
Forte pressão social e simbólica do modelo monocultural.
Carência crítica de tecnologia adaptada para manejo e beneficiamento.
Mutirões como ferramenta de fortalecimento micropolítico.
O estudo evidencia que o principal entrave não é técnico-ecológico, mas político-institucional e cultural.
As agroflorestas no Pampa:
São viáveis ecologicamente.
São resilientes frente às mudanças climáticas.
Operam como prática de resistência à política monocultural.
Revelam que o maior desafio é estrutural: mercado, assistência técnica, tecnologia e reconhecimento institucional.
O artigo sustenta que a transformação necessária é político-social-cultural, não apenas agronômica.
Abordagem inovadora no Bioma Pampa (ainda pouco associado a SAF).
Integração entre agroecologia, filosofia política e território.
Evidencia a invisibilização histórica das agroflorestas no Sul.
Riqueza narrativa das falas dos agricultores.
Ausência de dados quantitativos (produtividade, carbono, renda).
Forte densidade teórica que pode limitar aplicabilidade prática.
Não apresenta indicadores comparativos objetivos.
Do ponto de vista técnico, faltou mensuração biofísica para robustecer o argumento.
Reposiciona o Pampa como território agroflorestal possível.
Demonstra que a transição agroecológica é também disputa simbólica.
Aponta necessidade urgente de:
Pesquisa aplicada em tecnologia para SAF temperado.
Políticas públicas específicas.
Arranjos coletivos de comercialização.
Para o manejo agroflorestal brasileiro, a mensagem é clara:
Sem infraestrutura institucional, o potencial ecológico não se converte em escala.
Autores:
Caroline Zalamena; Lúcio André de Oliveira Fernandes; Marielen Priscila Kaufmann
Título:
Gentes e Florestas: pistas para imaginar outras agri-culturas
Periódico:
Revista NERA, v. 28, n. 3, 2025
Área:
Agroecologia; Agroflorestas; Desenvolvimento Rural; Geografia Agrária
Método:
Pesquisa-intervenção qualitativa; Método Cartográfico
Unidade territorial:
Escudo Cristalino Sul-Riograndense – Bioma Pampa
Principais achados:
SAF como prática regenerativa e política
Pressão estrutural da monocultura
Carência tecnológica adaptada
Coletividade como fator-chave
Link DOI:
https://doi.org/10.1590/1806-675520252811064
Artigo conceitualmente sólido, politicamente consistente e territorialmente relevante.
Contudo, para avançar no debate estratégico nacional, a agenda futura precisa integrar:
Indicadores ecológicos mensuráveis
Modelos de viabilidade econômica
Escalabilidade institucional
Sem isso, as agroflorestas no Pampa permanecem potência — mas ainda não política pública consolidada.