RODRIGUES, Vanda Gorete S.; CASTILLA, Carlos; COSTA, Rogério S. Corrêa da; PALM, Cheryl. Estoque de carbono em sistema agroflorestal com café – Rondônia, Brasil. In: Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil. Brasília: Embrapa Café, 1999. p. 38-41.
https://sbicafe.ufv.br/server/api/core/bitstreams/887f510a-2145-4837-b297-dc4e536c78d2/content
Determinar a contribuição de sistemas agroflorestais com café para o incremento do sequestro de carbono na vegetação e no solo em Rondônia, comparando:
Floresta primária
SAF café x seringueira
SAF café x bandarra
Monocultivo de café
Capoeira em pousio
Local: Ji-Paraná e Theobroma (RO)
Solos: Latossolo Amarelo e Latossolo Vermelho-Amarelo
Medição de carbono acima e abaixo do solo
5 quadrantes de 5m x 20m por sistema
Equação alométrica de Brown et al. (1989) para biomassa arbórea
Teor de carbono da biomassa estimado em 45%
Coletas de solo nas profundidades 0-20 cm e 20-40 cm
Sistemas avaliados:
Floresta primária
Capoeira (5 anos)
Monocultivo de café (7 anos)
SAF café x bandarra (12 anos)
SAF café x seringueira (12 anos)
Estoque de carbono acima do solo:
Floresta primária: 148 t C ha⁻¹
SAF café x seringueira: 97,2 t C ha⁻¹ (65,7% da floresta)
SAF café x bandarra: 64,5 t C ha⁻¹ (43,6%)
Monocultivo café: 16,6 t C ha⁻¹ (11,2%)
Capoeira: 11,23 t C ha⁻¹ (7,6%)
Potencial máximo estimado (rotação 15 anos):
SAF café x seringueira: até 82% do carbono da floresta
SAF café x bandarra: até 54%
Os sistemas agroflorestais com café:
Recuperam parcela significativa do carbono perdido após desmatamento
Funcionam como bancos de carbono
Superam amplamente monocultivos em capacidade de estocagem
O monocultivo demonstra baixa eficiência em sequestro de carbono.
✔ Dados quantitativos claros
✔ Comparação direta com floresta primária
✔ Avaliação tanto acima quanto abaixo do solo
✔ Abordagem aplicada à realidade produtiva amazônica
✔Estudo de curta duração comparado ao ciclo florestal
✔Não inclui análise econômica do consórcio
✔Foco exclusivo em carbono (não avalia biodiversidade ou produtividade)
Este estudo é estratégico porque demonstra, de forma objetiva:
SAF com café não é apenas alternativa produtiva — é tecnologia climática.
Em termos de política pública:
Sistemas agroflorestais podem integrar programas de crédito de carbono.
Pequenos produtores amazônicos podem gerar ativos ambientais.
A recuperação de carbono via agrofloresta é mensurável e comparável à floresta nativa.
Do ponto de vista técnico, o trabalho confirma que:
A inclusão de espécies arbóreas estruturais (seringueira, bandarra) é determinante para elevar a capacidade de sequestro.
Autores:
Vanda Gorete S. Rodrigues
Carlos Castilla
Rogério S. Corrêa da Costa
Cheryl Palm
Título:
Estoque de carbono em sistema agroflorestal com café – Rondônia, Brasil
Evento:
Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil
Instituições:
Embrapa Rondônia / ICRAF / TSBF
Área:
Agrofloresta, carbono, mudança de uso da terra
Método:
Equações alométricas, amostragem em quadrantes, análise de solo
Principais Resultados:
SAF com café pode recuperar até 82% do carbono da floresta primária em 15 anos
Link
https://sbicafe.ufv.br/server/api/core/bitstreams/887f510a-2145-4837-b297-dc4e536c78d2/content
Este trabalho é pioneiro e tecnicamente sólido para sua época.
Ele demonstra algo que hoje se tornou central na agenda climática:
Agrofloresta é instrumento real de mitigação de carbono na Amazônia produtiva.