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OBSERVATÓRIO AGROFLORESTAL BRASILEIRO

Resenha Diária – Sistema Agroflorestal com Café – 15/03/2026

 

Referência (ABNT)

RODRIGUES, Vanda Gorete S.; CASTILLA, Carlos; COSTA, Rogério S. Corrêa da; PALM, Cheryl. Estoque de carbono em sistema agroflorestal com café – Rondônia, Brasil. In: Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil. Brasília: Embrapa Café, 1999. p. 38-41.

Link

https://sbicafe.ufv.br/server/api/core/bitstreams/887f510a-2145-4837-b297-dc4e536c78d2/content

 

Objetivo

Determinar a contribuição de sistemas agroflorestais com café para o incremento do sequestro de carbono na vegetação e no solo em Rondônia, comparando:

  • Floresta primária

  • SAF café x seringueira

  • SAF café x bandarra

  • Monocultivo de café

  • Capoeira em pousio

 

Metodologia

  • Local: Ji-Paraná e Theobroma (RO)

  • Solos: Latossolo Amarelo e Latossolo Vermelho-Amarelo

  • Medição de carbono acima e abaixo do solo

  • 5 quadrantes de 5m x 20m por sistema

  • Equação alométrica de Brown et al. (1989) para biomassa arbórea

  • Teor de carbono da biomassa estimado em 45%

  • Coletas de solo nas profundidades 0-20 cm e 20-40 cm

Sistemas avaliados:

  1. Floresta primária

  2. Capoeira (5 anos)

  3. Monocultivo de café (7 anos)

  4. SAF café x bandarra (12 anos)

  5. SAF café x seringueira (12 anos)

 

Resultados

Estoque de carbono acima do solo:

  • Floresta primária: 148 t C ha⁻¹

  • SAF café x seringueira: 97,2 t C ha⁻¹ (65,7% da floresta)

  • SAF café x bandarra: 64,5 t C ha⁻¹ (43,6%)

  • Monocultivo café: 16,6 t C ha⁻¹ (11,2%)

  • Capoeira: 11,23 t C ha⁻¹ (7,6%)

Potencial máximo estimado (rotação 15 anos):

  • SAF café x seringueira: até 82% do carbono da floresta

  • SAF café x bandarra: até 54%

 

Conclusões

Os sistemas agroflorestais com café:

  • Recuperam parcela significativa do carbono perdido após desmatamento

  • Funcionam como bancos de carbono

  • Superam amplamente monocultivos em capacidade de estocagem

O monocultivo demonstra baixa eficiência em sequestro de carbono.

 

Pontos Fortes

✔ Dados quantitativos claros
✔ Comparação direta com floresta primária
✔ Avaliação tanto acima quanto abaixo do solo
✔ Abordagem aplicada à realidade produtiva amazônica

 

Pontos a Melhorar

✔Estudo de curta duração comparado ao ciclo florestal
✔Não inclui análise econômica do consórcio
✔Foco exclusivo em carbono (não avalia biodiversidade ou produtividade)

 

Contribuições e Implicações

Este estudo é estratégico porque demonstra, de forma objetiva:

SAF com café não é apenas alternativa produtiva — é tecnologia climática.

Em termos de política pública:

  • Sistemas agroflorestais podem integrar programas de crédito de carbono.

  • Pequenos produtores amazônicos podem gerar ativos ambientais.

  • A recuperação de carbono via agrofloresta é mensurável e comparável à floresta nativa.

Do ponto de vista técnico, o trabalho confirma que:

A inclusão de espécies arbóreas estruturais (seringueira, bandarra) é determinante para elevar a capacidade de sequestro.

 

FICHA TÉCNICA

Autores:
Vanda Gorete S. Rodrigues
Carlos Castilla
Rogério S. Corrêa da Costa
Cheryl Palm

Título:
Estoque de carbono em sistema agroflorestal com café – Rondônia, Brasil

Evento:
Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil

Instituições:
Embrapa Rondônia / ICRAF / TSBF

Área:
Agrofloresta, carbono, mudança de uso da terra

Método:
Equações alométricas, amostragem em quadrantes, análise de solo

Principais Resultados:
SAF com café pode recuperar até 82% do carbono da floresta primária em 15 anos

Link

https://sbicafe.ufv.br/server/api/core/bitstreams/887f510a-2145-4837-b297-dc4e536c78d2/content

 

Avaliação do Observatório

Este trabalho é pioneiro e tecnicamente sólido para sua época.

Ele demonstra algo que hoje se tornou central na agenda climática:

Agrofloresta é instrumento real de mitigação de carbono na Amazônia produtiva.

 

 

 

MOACIR MEDRADO
Enviado por MOACIR MEDRADO em 15/03/2026
Alterado em 15/03/2026
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