(Ditado tradicional do interior brasileiro)
O ditado fala de interesse próprio — algo natural, mas perigoso quando descoordenado.
No agro, é compreensível que cadeias produtivas defendam seus segmentos: grãos, proteína animal, florestas plantadas, agricultura familiar. Cada setor busca crédito, infraestrutura e regulamentação favorável.
Na silvicultura, empresas, produtores independentes e indústrias têm prioridades distintas. Bioenergia, madeira serrada, celulose e mercado de carbono competem por espaço estratégico.
Cada um puxa a brasa para sua sardinha.
Na economia nacional, o mesmo fenômeno se amplia. Estados disputam arrecadação. Setores buscam incentivos. Corporações defendem regimes especiais. A arena política torna-se campo de forças múltiplas.
O problema não é o interesse. O problema é a ausência de síntese.
Quando cada ator opera isoladamente, o resultado pode ser fragmentação estratégica. Políticas públicas tornam-se reativas, não estruturantes.
No campo, cooperação amplia escala.
Na floresta, integração agrega valor.
Na economia, coordenação reduz custo sistêmico.
O Brasil tem enorme capacidade produtiva, mas frequentemente perde eficiência na articulação interna.
Interesse é legítimo.
Visão nacional é indispensável.
Sem coordenação, o fogo aquece apenas partes —
e nunca a casa inteira.
Moacir José Sales Medrado
Engenheiro Agrônomo | Consultor Agroflorestal
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