Vivemos juntos, eu, minha mãe e minha esposa,
Duas rosas bicolores no jardim da mesma prosa.
Uma mais nova e viçosa, perfume da primavera,
Outra madura e plena, dessas que o tempo não leva.
Nosso jardim tem cheiro puro,
Terra boa, céu profundo.
Mesmo quando o vento aperta,
Floresce amor neste mundo.
Eu sou espinho entre as rosas,
Mas espinho que protege.
Não nasci pra machucar,
Nasci pra guardar quem merece.
Uma me deu a existência,
Outra me ensinou paixão.
E as duas, quando sorriem,
Fazem alegrar meu coração.
[REFRÃO]
Minha mãe é raiz, minha esposa é flor,
Uma me deu a vida, outra me ensinou amor.
E se o mundo inteiro um dia escurecer,
As duas juntas clarearão o meu viver.
Ô meu Deus, abençoe essas mulheres,
Que sustentam minha alma sem pedir troca.
Se existe riqueza maior nessa terra,
É ouvir as duas chamando meu nome na porta.
Foram flores polinizadas,
Deram frutos tão bonitos.
Frutos fortes, frutos doces,
Feitos de fé e de ritos.
E neste domingo de maio,
Trago um presente singelo:
Não é ouro, nem é prata,
É canto já nascido e belo.
Um som vindo do meu sertão,
Da viola e da lembrança.
Quem dera cantassem juntas,
Em perfeita consonância.
Duas vozes, duas vidas,
Num só peito e emoção.
Minha mãe e minha esposa,
Cantando em meu coração.
[REFRÃO FINAL – mais intenso]
Minha mãe é raiz, minha esposa é flor,
Uma me deu a vida, outra me ensinou amor.
E se o mundo inteiro um dia escurecer,
As duas juntas clarearão o meu viver.
Ô meu Deus, abençoe essas mulheres,
Que sustentam minha alma sem pedir troca.
Se existe riqueza maior nessa terra,
É ouvir as duas chamando meu nome na porta.