MURALHAS DO CORAÇÃO
Há quem carregue no peito um castelo de solidão,
Escondendo entre os escombros a sede de uma afeição.
Mostra ao mundo um rosto duro, um semblante de aço e dor,
Mas por dentro vive à espera de um simples gesto de amor.
Talvez antigas feridas tenham fechado o portal,
Transformando a própria alma num refúgio desigual.
Quem mais sonha com abraço, muitas vezes, sem saber,
Ergue muros tão elevados que ninguém pode vencer.
Fala pouco dos seus sonhos, não revela o coração,
Teme tanto a rejeição que prefere a solidão.
Veste a capa da coragem, da firmeza e do valor,
Mas esconde suas lágrimas no silêncio da sua dor.
Quer provar independência, quer mostrar que é vencedor,
Mas ninguém caminha inteiro sem receber algum amor.
Pois a força verdadeira não se mede pela mão,
Mas pela capacidade de entregar o coração.
Muitos tentam se aproximar com carinho e compreensão,
Mas encontram portas fechadas e constante negação.
Pouco a pouco vão cansando de insistir sem alcançar,
E recolhem o afeto que sonhavam ofertar.
Assim segue a triste roda desse estranho sofrimento,
Quem mais busca ser amado cria o próprio isolamento.
E o amor, que é ave livre, não suporta prisão,
Bate as asas e se afasta da fechada habitação.
Mas enquanto houver um sopro de esperança a florescer,
Sempre existe um novo tempo para o muro estremecer.
Toda alma endurecida pode enfim se transformar,
Quando aprende que é preciso receber e também dar.
Quem derruba as próprias cercas descobre uma nova luz,
Pois o amor não nos enfraquece, o amor nos conduz.
E o coração que se abre, mesmo após tanto sofrer,
Volta a viver plenamente, volta enfim a renascer.
[REFRÃO]
Abre a porta do teu peito, deixa o amor entrar,
Nenhuma fortaleza foi feita para durar.
Quem se fecha para a vida, por medo de se ferir,
Vai morrendo pouco a pouco sem jamais voltar a sorrir.
Abre a porta do teu peito, deixa o amor florescer,
Pois ninguém nasceu no mundo para sozinho viver.
O orgulho é uma corrente, o amor é libertação,
Só encontra a verdadeira força quem entrega o coração.