“DE ASA BRANCA A GRALHA AZUL”
Saí do meu Ceará
Na seca do 92
No meu matulão, a saudade
E um punhado de algaroba no uru
A asa branca bateu asa
E eu vim parar neste chão
Onde o sol não queima tanto
Mas a geada queima o coração.
[Pré-refrão]
O mandacaru do Juazeiro
Ficou na minha memória
Aqui, na sombra de um pinheiro
Eu conto a minha história.
[Refrão]
Ê, morena, chega pra cá
Vem ver o Norte no Sul a dançar
Aperta o laço desse amor matuto
Que o forró tá de chapéu e de bota
Da caatinga seca ao Paraná em flôr
É o meu coração que virou beija-flôr
Bate a bota no assoalho de cedro
Que o Paraná virou meu novo enredo!
No terreiro de terra batida
O cheiro é de erva-mate moída
A fogueira não é de São João
É pra espantar a friagem, então
A morena não usa chita
Mas um vestido de lã bonito
E ao invés do cuscuz com ovo
Ela me serve um pinhão cozido
[Pré-refrão]
O carcará virou gavião
Sobrevoando o erval
E o meu xaxado no salão
Tem gosto daqui e cheiro de lá.
[Refrão]
Ê, morena, chega pra cá
Vem ver o Norte no Sul a dançar
Aperta o laço desse amor matuto
Que o forró tá de chapéu e de bota
Da caatinga seca ao Paraná em flôr
É o meu coração que virou beija-flôr
Bate a bota no assoalho de cedro
Que o Paraná virou meu novo enredo!
"Lá no meu Cariri, chão rachado, sol ardente...
Aqui nos Campos Gerais, é um tapete verde na frente.
Mas a dor de ser de dois mundos é igual flor de maracujá:
Apaixonada pelo espinho e com vontade de voar...
Vambora, sanfoneiro!"
[Refrão Final]
Ê, morena, chega pra cá
Vem ver o Norte no Sul a dançar
Aperta o laço desse amor matuto
Que o forró tá de chapéu e de bota
Da caatinga seca ao Paraná em flôr
É o meu coração que virou beija-flôr
Bate a bota no assoalho de cedro
Que o Paraná virou meu novo enredo!