MOACIR MEDRADO - MOGA
Um pouco do que tenho sido além do físico
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livro de Visitas Contato Links

O PREÇO DO PRATO

 

Veio o sol em Curitiba e resolvemos sair,

Eu, mãe e esposa não pudemos resistir.

Restaurante modesto, sem luxo; um tipo padrão.

Só era um almoço simples pra aquecer o coração.

 

Bela alcatra, um suquinho e boa conversa.

A vida parecia leve;  na mesa nada de pressa.

Mas quando veio a conta no final da refeição,

Veio junto uma pergunta de cortar o coração.

 

[Refrão]

Quem foi que planejou essa tal sociedade?

Que se preocupa tão pouco com desigualdade?

Se pra mim que ganho bem já me assustou o valor.

Qual tamanho seria o susto de um pobre trabalhador?

 

Não culpo quem cozinha, nem quem serve o café,

Nem quem luta diariamente prá manter seu negócio de pé.

Mas alguma peça na engrenagem perdeu a direção,

Pois um almoço básico,  pra muitos é exceção.

 

O dono do restaurante também quer sobreviver,

Tem salário, aluguel, tem boleto pra vencer.

Tem a luz, tem a água, fornecedor e prestação,

Tem imposto em cascata pesando na operação.

 

O garçom volta pra casa contando cada real,

A cozinheira conhece bem o aperto mensal.

Todos trabalham muito e fazem por merecer,

Mas parece que ninguém consegue bem viver.

 

[Refrão]

Quem foi que planejou essa tal sociedade?

Que se preocupa tão pouco com desigualdade?

Se pra mim que ganho bem já me assustou o valor.

Qual tamanho seria o susto de um pobre trabalhador?

 

Não culpo quem cozinha, nem quem serve o café,

Nem quem luta diariamente prá manter seu negócio de pé.

Mas alguma peça na engrenagem perdeu a direção,

Pois um almoço básico,  pra muitos é exceção.

 

[Ponte]

O campo produz fartura, a indústria faz girar,

O caminhão corta estradas para o alimento levar.

Tem tecnologia e ciência elevando a produção,

Mas, ainda é grande a distância entre o prato e o cidadão.

 

O problema não é a comida, nem quem a preparou,

É um sistema estranho que do povo se afastou.

Onde o trabalho vale pouco e a conta vale mais,

Mas pouco disso é dito nos jornais nacionais.

 

[Refrão Final]

Quem foi que planejou essa tal sociedade?

Quem foi que trocou justiça por desigualdade?

Se o salário não acompanha o custo de viver,

Há milhões de brasileiros sem poder escolher.

 

O almoço foi gostoso, disso não vou reclamar,

Mas saí pensando sério enquanto voltava ao lar:

Uma nação só é grande, forte em sua construção,

Quando o básico cabe inteiro no bolso do cidadão.

 

[Final]

Quando o básico cabe inteiro no bolso do cidadão...

Quando o básico cabe inteiro no bolso do cidadão...

E a mesa da família não se torna preocupação.

MOACIR MEDRADO
Enviado por MOACIR MEDRADO em 07/06/2026
Comentários