O PREÇO DO PRATO
Veio o sol em Curitiba e resolvemos sair,
Eu, mãe e esposa não pudemos resistir.
Restaurante modesto, sem luxo; um tipo padrão.
Só era um almoço simples pra aquecer o coração.
Bela alcatra, um suquinho e boa conversa.
A vida parecia leve; na mesa nada de pressa.
Mas quando veio a conta no final da refeição,
Veio junto uma pergunta de cortar o coração.
[Refrão]
Quem foi que planejou essa tal sociedade?
Que se preocupa tão pouco com desigualdade?
Se pra mim que ganho bem já me assustou o valor.
Qual tamanho seria o susto de um pobre trabalhador?
Não culpo quem cozinha, nem quem serve o café,
Nem quem luta diariamente prá manter seu negócio de pé.
Mas alguma peça na engrenagem perdeu a direção,
Pois um almoço básico, pra muitos é exceção.
O dono do restaurante também quer sobreviver,
Tem salário, aluguel, tem boleto pra vencer.
Tem a luz, tem a água, fornecedor e prestação,
Tem imposto em cascata pesando na operação.
O garçom volta pra casa contando cada real,
A cozinheira conhece bem o aperto mensal.
Todos trabalham muito e fazem por merecer,
Mas parece que ninguém consegue bem viver.
[Refrão]
Quem foi que planejou essa tal sociedade?
Que se preocupa tão pouco com desigualdade?
Se pra mim que ganho bem já me assustou o valor.
Qual tamanho seria o susto de um pobre trabalhador?
Não culpo quem cozinha, nem quem serve o café,
Nem quem luta diariamente prá manter seu negócio de pé.
Mas alguma peça na engrenagem perdeu a direção,
Pois um almoço básico, pra muitos é exceção.
[Ponte]
O campo produz fartura, a indústria faz girar,
O caminhão corta estradas para o alimento levar.
Tem tecnologia e ciência elevando a produção,
Mas, ainda é grande a distância entre o prato e o cidadão.
O problema não é a comida, nem quem a preparou,
É um sistema estranho que do povo se afastou.
Onde o trabalho vale pouco e a conta vale mais,
Mas pouco disso é dito nos jornais nacionais.
[Refrão Final]
Quem foi que planejou essa tal sociedade?
Quem foi que trocou justiça por desigualdade?
Se o salário não acompanha o custo de viver,
Há milhões de brasileiros sem poder escolher.
O almoço foi gostoso, disso não vou reclamar,
Mas saí pensando sério enquanto voltava ao lar:
Uma nação só é grande, forte em sua construção,
Quando o básico cabe inteiro no bolso do cidadão.
[Final]
Quando o básico cabe inteiro no bolso do cidadão...
Quando o básico cabe inteiro no bolso do cidadão...
E a mesa da família não se torna preocupação.