MALDIÇÃO CONTRA A OLIGARQUIA[1]
Moacir José Sales Medrado
[VERSO 1]
Ai de vós, que do alto da torre
Desprezais o clamor que vem do chão;
Que chamais de ordem vossa própria vontade,
E de lei, vossa dura opressão.
Multiplicais as casas e as terras...
E lançais os pequenos ao pó;
Mas os vossos muros, altivos e feros...
Serão cinza quando o vento soprar.
[VERSO 2]
Ai de vós, que teceis teias de engano
Nos tribunais onde o pobre não tem vez;
Que vendes a sentença por prata,
E condenais o justo por mercês.
O ouro que pesa nas vossas mãos
Não pesará na balança de Deus;
E a vossa glória, bordada a fio,
Rasgar-se-á como um véu diante dos céus!
[REFRÃO 1]
Ai de vós, ai de vós,
Que não escutais do Senhor a voz.
Chamais de luz aquilo que é treva,
E de justiça o que é ferida aberta.
Ai de vós, ai de vós,
O orgulho cai, o poder passará,
Mas a justiça de Deus ficará.
Ficará.
[VERSO 3]
Ai dos que arrastam o pecado em carros,
Como presos por fortes cordões,
E desafiam o Santo de Israel:
"Mostra depressa as tuas intenções!"
"Que venha agora o que prometes..."
Mas quem transforma arrogância em coragem
Não sabe o peso que terá de carregar!
[VERSO 4]
Ai dos que chamam o mal de bondade,
E dizem ser mau aquilo que é bem;
Que fazem da noite claridade,
E escurecem a luz que a verdade contém.
Transformam o amargo dizendo ser doce,
E fazem do doce amargura também.
São sábios apenas aos próprios olhos...
E não ouvem conselho de ninguém!
Ai dos valentes somente no vinho,
Dos que fazem da taça demonstração;
Que por presentes absolvem culpados,
E roubam do justo a sua razão.
Onde a justiça se vende por ouro,
Onde o direito se deixa comprar,
A própria raiz começa a morrer...
...e como poeira a flor vai voar.
[REFRÃO FINAL]
Ai de vós, ai de vós,
Que desprezais do Senhor a voz!
Chamais de luz aquilo que é escuridão,
E de justiça aquilo que é opressão!
Ai de vós, ai de vós,
Todo orgulho um dia cairá!
A força dos homens passa na história,
Mas a justiça permanecerá!
A palha passa diante do fogo,
A flor se perde ao vento que vem...
Quem despreza a palavra do Santo
Perde a raiz que o mantém.
O trono de cedro se tornará pó,
O cetro de ouro se curvará;
A coroa que pesa sobre a fronte
Como ferro em brasa queimará.
O poder passará.
Mas a justiça permanecerá!
Ai de vós, ai de vós,
...permanecerá.
Ai de vós, ai de vós, ai de vós
...permanecerá.
[1] Adaptado de “Maldição contra a aristocracia” do livro do Profeta Isaias, com o auxílio do ChatGPT